sábado, 27 de dezembro de 2008

TERESA

Teresa baixou os olhos, mirou seus seios.
"São meus!" - exclamou.
Desceu as mãos. Perdeu-se.
"Meu deus!"
Teresa desceu a saia, o pudor. Desceu os pelos, a pele. Desceu tudo seu. Desceu as escadas à rua. Desceu à praia, ao mar.
"Sou eu !"
Desceu tanto, entretanto, que desceram todos, os outros, à rua, à praia. Desceram palavras como pedras, desceram rebentos à carne. Disseram-na feia, disseram-na velha, disseram-na vulgar.
Teresa não disse nada!
Lavou os cabelos, longos e negros. Lavou-se toda, por fora, por dentro. Lavou-se inteira. Teresa.
"É Teresa!" - explicavam. Sempre há quem chega tarde.
"Sou eu!"
Lavou-se ao avesso, estendeu-se em nudez. Esparramou-se um seio, outro também. Toda flacidez, as coxas luziam, os braços, o ventre.
Teresa sorria!
"Meu deus!"
Já plena e lavada. Teresa subiu à praia, à rua, às escadas, ao povo reunido que a cercou:
"Então?" - perguntou.
Não houve pedras, não houve palavras. Não houve nada!

Desde então todos sabem: Teresa é mulher, e toda manhã cruza a cidade ao mar, nua, toda ela, pelos, pele e prazer. Toma seu banho, estende seu corpo, e volta para a casa.
Teresa é mulher invejada!

Autor: Viegas Fernandes da Costa
Fonte: Revista Cult